domingo, 17 de agosto de 2008

Jornalistas e RPs

BUENO (2007), em leitura crítica à Comunicação Empresarial brasileira, defende que ela é hoje assolada de hipocrisia e do cinismo para atender a interesses comerciais, políticos ou pessoais. Exemplo disso, segundo ele, são as empresas que usam o marketing social para encobrir graves desvios éticos, como produtos “maquiados”, ofensivos à saúde, à natureza ou à vida.

Apesar disso, o autor busca o otimismo de uma possível nova Comunicação, “ética e cidadã”, o que se daria somente quando os limites entre Jornalismo e Relações Públicas fossem melhor especificados, já que, nesta leitura da Comunicação Empresarial, o autor afirma ser “tema central (...) a necessária e desejada aproximação entre Jornalismo e Relações Públicas, atividades importantes, basilares mesmo da Comunicação Empresarial” (p. 119). E completa:

“Precisamos ser contundentes: nada indica que os profissionais de Jornalismo e Relações Públicas, em nome desta nova Comunicação, estejam, na verdade, aproximando-se e que amanhã poderemos contemplá-los de braços dados, dividindo, generosamente, os espaços no mercado de trabalho como gêmeos univitelinos (como filhos legítimos da Comunicação Empresarial moderna), cada um exibindo exatamente a cara do outro.

É ingênuo e absolutamente equivocado imaginar que jornalistas e relações públicas diferem apenas em competências e habilidades, embora essa seja a leitura habitual, inclusive de quem está há muito tempo na área. Estou tentado a admitir que eles fazem parte do gênero humano (ou mais apropriadamente do mesmo gênero profissional – a Comunicação Empresarial), mas tenho sérias dúvidas de que eles pertençam à mesma espécie."


Fonte:
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial no Brasil: uma leitura crítica. São Paulo: Mojoara Editorial, 2007.

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