Em um dos artigos reunidos na obra de 2007, BUENO relaciona a Comunicação Interna nas empresas com a “pedagogia libertadora” do educador Paulo Freire, que diz ser fundamental respeitar o background social, cultural, lingüístico, etc da audiência. Para Bueno, estamos longe de uma Comunicação Empresarial brasileira estão longe da teoria e prática empreendidas por Paulo Freire.
“Respaldada em uma visão autoritária, a comunicação interna costuma ser pouco receptiva à participação dos “colaboradores” e, quase sempre, caracteriza-se por procedimentos, atitudes que, pelo contrário, constrangem os interlocutores, especialmente, é claro, os que são social, econômica e culturalmente menos favorecidos, portanto mais sensíveis às pressões(...)” (Páginas 18-19)
Bueno defende que a Comunicação Empresarial não tem praticado a pedagogia libertadora, e, portanto, desestimula a gestão do conhecimento, justamente por utilizar de um modelo autoritário que não permite a participação dos funcionários (top-down).
Para ilustrar seu argumento, ele cita o exemplo dos house-organs, cuja maioria, segundo ele, é “insípida, peças de leitura monótona porque contaminados pela tentativa de promover chefes e exalar virtudes, nem sempre verdadeiras, das instituições e que afrontam, a todo momento, o conceito (...) da diversidade corporativa...”.
"Não é preciso uma pesquisa sistemática para perceber que os jornais e revistas da empresa (novamente aplausos às exceções) só reproduzem opiniões favoráveis, só utilizam como fontes pessoas comprometidas com as organizações e que não fomentam o debate, a crítica ou a auto-crítica, mas encarnam peças publicitárias de mau gosto e que, invariavelmente, merecem o desprezo dos leitores. Além disso, discriminam as pessoas que não apresentam um perfil estético tido como padrão (você já viu fotografia de gente “feia” nos house-organs?) e apenas incorporam as sugestões cosméticas, que não desafiam a autoridade. Existe gestão do conhecimento sem debate interno? É este o estatuto ideal da prática libertadora da comunicação interna nas organizações brasileiras? (página 23)"
Para reverter este quadro, o aautor propõe algumas estratégias de revitalização da comunicação interna (pág. 34):
1. Implantação de uma efetiva cultura de comunicação, com a capacitação de todos os interlocutores internos;
2. Alocação de recursos físicos, financeiros e humanos;
3. Criação e/ou aumento dos espaços informais de interação;
4. Redimensionamento e revitalização dos canais de relacionamento;
5. Profissionalização das estruturas de comunicação interna;
6. Incorporação das novas tecnologias e
7. Implementação permanente e sistemática de projetos de auditoria de comunicação interna.
A monografia abordará principalmente o item 6, entendendo como o jornalismo empresarial pode ser apropriar da internet como plataforma para que se consolide um novo canal de comunicação e interação entre a empresa e os seus diversos públicos.
House-organs
Bueno faz um diagnóstico dos house-organs brasileiros, argumentando que ele hoje se diferencia de um jornal de imprensa. (p. 40)
Os motivos que ele relata são:
1. Não propõe o debate.
2. Os house-organs têm se constituído mais como um elemento de propaganda do que uma atividade jornalística. Para ele, isso pode ser percebido a partir de vários indicadores:
a. Linguagem adjetivante e com discurso que enfatiza as qualidades da empresa, “como se ela fosse a única, a melhor, simplesmente perfeita”;
b. Abordagem de assuntos e fotos relacionados apenas à alta direção. Quando não, funcionários aparecem para legitimar opiniões da autoridade;
c. Não abre espaço para imperfeições da empresa, que poderiam ser melhoradas;
3. Processo de produção é “tenso”, em que prevalecem a censura e autocensura, submissão à Presidência, o que limita os temas considerados “tabus” pela empresa.
Comunicação Empresarial para Gestão do Conhecimento
Página 94:
“A gestão do conhecimento pressupõe, pois, que a empresa pratique, de verdade, a Comunicação Empresarial, e para isto inúmeras condições precisam ser preenchidas”. São elas:
1. Todos os interlocutores precisam ter voz, interagir, porque devem participar do processo;
2. A Comunicação precisa ser transparente; as pessoas devem se sentir estimuladas a participar e não devem se sentir constrangidas por fazê-lo.
3. Comunicação deve ser ética e responsável, que proporcione não apenas mais enriquecimento à empresa mas também crescimento pessoal e profissional dos que são envolvidos no processo;
4. Comunicação deve ter foco, atentar para questões relevantes e solução de problemas – portanto, deve ser estratégica.
Fonte:
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial no Brasil: uma leitura crítica. São Paulo: Mojoara Editorial, 2007.
domingo, 17 de agosto de 2008
Comunicação interna e pedagogia libertadora
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